Segunda-feira, Fevereiro 08, 2010

Protesto contra a qualidade das estradas.

Porque o veículo saculeja muito e o passageiro não pode seguir viagem lendo. Para quem já usa óculos, definitivamente não é bom.

Quinta-feira, Janeiro 28, 2010

Comissão Pessoal da Vaidade

Em entrevista à Tribuna do Advogado, publicação mensal que adora dar voz a militantes de direitos humanos, o senhor Marcos Rolim omite cinicamente que os militantes contra a ditadura, longe de meramente resisistirem à sua atuação, queriam substituí-la por uma muito pior, a se dar crédito ao modelo que tinham em mente, a ditadura cubana. Comparada a esta, o regime militar brasileiro foi de fato uma ditabranda, onde morreram por volta de 300 militantes armados e 200 soldados que a defendiam.

O senhor Marcos Rolim foi um dos redatores do famigerado -- dá-lhe Guimarães Rosa! -- PNDH-3, ou Programa Nacional dos Direitos Humanos, terceira geração, que cria, entre aberrações, a Comissão Nacional da Verdade, cujo nome pomposo quase faz chorar a mãe desavisada que perdeu o filho adolescente desaparecido. A Comissão para estudar os fatos e devolver os ossos, como em circunstância distinta pediu a velha imaginada por Adonias Filho, não é ruim em si. O mal é o seu aproveitamento político pelas viúvas da revolução. O senhor Marcos Rolim quer fazer acreditar que os militantes armados eram resistentes heróicos. Balela! Se houve mocinhos durante o regime militar, esses foram os que a ele se opuseram, sem desejar, porém, radicalizá-lo sob seu comando. Gerardo Mello Mourão, o poeta e deputado federal, foi um mocinho. Marcos Rolim não. Ele é apenas um cínico fingindo estar do lado dos bons da história, dos quais por isso mesmo se pode suspeitar serem vilãos.

Quinta-feira, Janeiro 21, 2010

For Hans Carossa

by Rainer Maria Rilke

Losing too is still ours; and even forgetting
still has a shape in the kindgdom of transformation.
When something's let go of, it circles; and though we are
rarely the center
of the circle, it draws around us its unbroken, marvelous
curve.

Translated by Stephen Mitchell

Quarta-feira, Janeiro 20, 2010

Já na Roma antiga.

O barbudo Calístrato desposou o robusto Afro
segundo a lei que une uma donzela a um homem.
Acenderam-se tochas, cobriu-se o rosto com o véu,
e nem te faltaram os teus cantos, Talassião.
Fixou-se até o dote. Não te parece, Roma,
que já chega? Esperas, se calhar, que ele até dê a luz?

Marcial, Epigramas. Vol. IV, livro XII, 42, p. 123 (trad. de José Luiz Brandão)

Créditos para o saite Super Flumina.

Por uma outra visão

Os americanos são uns egoístas. Eles vão ao Haiti, ajudam o país a se recuperar do terremoto e vão logo embora, não ficam sequer para a reconstrução política, medida que só reservam para casos "mais importantes", como um Japão ou Iraque. Nem mesmo um protetorado à moda de Porto Rico eles desejam para os pobres haitianos. Esses americanos são mesmo uns egoístas, só querem fazer o serviço e se picar.

Quarta-feira, Janeiro 06, 2010

Conserving what?

Em três programas de rádio, a BBC investiga o que o conservadorismo is all about.

Ouça os programas em inglês aqui.

Terça-feira, Dezembro 08, 2009

A Tarde do mundo

por Ângelo Monteiro

Teci-me de sombras para a tarde
me estender sobre as mais pobres coisas.
Tarde sem Vésper e véspera,
em que nada se espera
nem mesmo a lua má anunciada.
Tarde, ó tarde, ó tarde sem mais volta
não preparas nem o ocaso do Sonho
nem o acaso da morte.
Entretanto estou em ti, postiça tarde.
Estou para perder o já perdido
estou para encontrar o fogo que não arde
não me perco de ti, postiça tarde.
Tarde perdida em si, sem ânsia de morrer
nem de viver na lua que surgir.
Tarde de um mundo morto, tarde sem lua perto
que ilumine em cada coisa o seu deserto.
Tarde sem alma e homem, tarde jamais ferida
pela centelha do morrer da vida.
tarde de um tempo inteiramente cego: tarde que eu nego.

Do livro As Armadilhas da Luz.

...

Urca e Tango Jalousie, por Sergio Lemos

I

Memória do assoalho, a tarde-pântano,
exalada de tábuas, rodapés.
Laivos da noite, rápido, esquivando-se
embrulhados na luz da tarde-mel.

Pelos vidros de cor, pé-ante-pé,
a poeira luminosa ia avançando.
Oh a tarde de laranjas bocejando,
papel de pão, as moscas, o café.

E a década sinistra de quarenta
vinha doce, tranqüila, sonolenta
como um gato lambendo nossa mão.

Vila Isabel -- o rádio era criança.
A Shirley Temple. Ocupada a França.
E os vidros de merengue com limão.

Do livro A Luz no Caleidoscópio



...

por Daniel H. Lourenço

O universo imóvel na tarde quente,
sinérgicos lemos uma folha farfalhar
na árvore da avenida Portugal.
O vento assobia como se estivesse piscando para a gente,
lá fora da sombra, entretanto,

é um mundo frugal.

Ao entardecer, a brisa do mar traz moedas e conchas
onde disfarço os ouvidos para escutar o tao.

Sábado, Dezembro 05, 2009

E ainda sobre o materialismo...

"Para o materialista descrente, o homem é simplesmente um acidente evolucionário. As suas esperanças de sobrevivência estão ligadas a uma ficção que é da sua imaginação mortal; os seus medos, amores, aspirações e crenças não são senão a reação de uma justaposição incidental de certos átomos de matéria sem vida. Nenhum aparato de energia, nenhuma expressão de confiança pode transportá-lo depois do túmulo. As obras devocionais e o gênio inspirado dos melhores dos homens estão condenados a ficar extintos pela morte, pela noite longa e solitária do esquecimento eterno e da extinção da alma. O desespero sem nome é a única recompensa por viver e labutar sob o sol temporal da existência mortal. A cada dia a vida, vagarosa mas certamente, aperta mais a sua garra de condenação sem piedade, a qual um universo material hostil e implacável decretou fosse o insulto que coroa a tudo aquilo que é belo, nobre, elevado e bom nos desejos humanos.


Contudo, não é esse o fim, nem o destino eterno do homem; essa visão não é senão o grito de desespero proferido por alguma alma errante que ficou perdida nas trevas espirituais, e que bravamente continua lutando dentro dos sofismas mecanicistas de uma filosofia materialista, cega pela desordem e pelas deformações de uma erudição tornada complexa. E toda essa condenação às trevas e todo esse destino de desespero ficam, para sempre, dissipados por um esforço valente de fé da parte do mais humilde e iletrado entre os filhos de Deus sobre a Terra.


Essa fé salvadora tem o seu nascimento no coração humano, quando a consciência moral do homem compreende que os valores humanos podem ser transladados do material para o espiritual, na experiência mortal, do humano até o divino, do tempo até a eternidade." (Livro de Urântia, documento 102, Os fundamentos da fé religiosa)

Materialismo e o ato de conhecimento

Em 'Sabedoria dos Princípios', Mário Ferreira dos Santos escreve sobre o materialismo, compreensão filosófica estranha à sua:

"Lenine escreveu algumas obras de filosofia, e que tiveram repercussão entre os partidários das suas doutrinas, e, também, certa influência sobre elementos de outros setores. Instado constantemente, para que definisse claramente em que consistia o "seu materialismo", já que o exposto por Engels confundia-se com o materialismo vulgar, em seu "Materialismo e e Empririocriticismo", Lenine, com bastante brilho, definiu muito claramente a sua posição do ângulo gnoseológico, que pode esclarecer-se como definitiva: "Materialismo é aquela posição que admite sempre a anterioridade do objeto sobre o sujeito" (grifo meu).

É uma posição, em suma, do ângulo gnoseológico, que nos coloca em face do mundo como apenas uma tábula rasa, que capta os fantasmas*, e sobre ele construirá as suas generalidades.

(...)

(...) convém estabelecer uma distinção muito acertada e necessária quanto à independência do conhecimento, das impressões sensoriais, a saber: a distinção entre uma independência causal de origem, independência lógica de constituição. Assim as idéias inatas de Platão possuíam uma completa independência lógica, porque a estrutura lógica das idéias eternas não pode ser tirada da percepção das coisas contingentes, que só têm função de lembrar a respectiva idéia preexistente na mente. Mas a necessidade de tal lembrança, a anamnésis, constitui a dependência causal quanto à atualização da consciência ou, em termos platônicos, da memória.

(...)

(...) Sempre foi considerado óbvio que a totalidade dos conhecimentos que o indivíduo possui, mesmo que inteiramente devido à experiência, de certo modo não é devido só à experiência desse indivíduo.

(...)

A verdadeira posição que se pode tomar aqui é, dentre as três possíveis: 1) a anterioridade total do objeto sobre o sujeito; 2) a anterioridade total do sujeito sobre o objeto e, 3) a anterioridade parcial do sujeito e do objeto, que seria a posição partim-partim (parte-parte), (...) à qual nos filiamos e defendemos.""

*Nota minha: Os fantasmas são os objetos materiais que estimulam os nossos sentidos exteriores.

......

O sujeito receberia, por assim dizer, duas informações: uma, aquela que é emitida pelo próprio objeto, e outra, que lhe é transmitida pelas regras eternas, as quais são os "modos pelos quais nossa mente conhece e julga que tal ou qual coisa não pode ser de maneira outra da que é." Na linguagem de Boaventura de Bagnoregio, pela cointuição com a luz sapiencial, além de ser apenas regidos pelos princípios eternos, podemos inclusive vir a captá-los. Nesta possibilidade, os princípios eternos são a uma só vez objeto e regradores do ato de conhecer. "A sapiência é esta capacidade de captar os primeiros princípios."