Terça-feira, Dezembro 01, 2009

Churchill errou

O primeiro-ministro britânico disse a Charles de Gaulle: "Se um dia formos obrigados a escolher entre a Europa e o mar aberto, será o mar aberto que escolheremos." Hoje, entretanto, entrou em vigor o Tratado de Lisboa, pelo qual a União Européia se torna em definitivo um Estado, e o Reino Unido faz parte dela como Estado-Membro.

O paradoxo da atração de pessoas boas pelo marxismo.

Maurico Rojas, aqui, escreve sobre um tema fundamental. Transcrevo a seguir um trecho:

"La visión de Che Guevara como encarnación del mal absoluto coincide con la apreciación de muchos críticos del marxismo, que sugieren que la fuerza de atracción de esta doctrina reside en su capacidad de concitar una serie de sentimientos o rasgos negativos: envidia, destructividad, resentimiento, deseo de dominar a otros o de venganza, sadismo, etc. Por ello, serían personalidades caracterizadas por esos rasgos las que se sentirían atraídas por el marxismo, formando su núcleo activo. El marxismo sería así una ideología que concita los instintos más bajos o, simplemente, la maldad humana, para darle rienda suelta bajo la forma de un movimiento donde estas personalidades atávicas se refuerzan mutuamente.

No niego que haya una buena parte de todo esto en la fuerza de atracción tanto del marxismo como de otros movimientos políticos extremos, y que una parte de los elementos que se congregan en torno a esa ideología adolezcan de rasgos atávicos de personalidad. Aun así pienso que se trata de una forma de aproximarse a este tipo de fenómenos que es fundamentalmente errada, ya que si bien capta una parte de los mismos deja de ver lo que para mí es la verdadera fuerza motora que les da a las ideologías mesiánicas su tremenda capacidad de atraer a aquellos sin los cuáles estos movimientos no llegarían muy lejos, a saber, a los altruistas e idealistas o, para decirlo cortamente, a los buenos (grifo meu), a aquellos que se van a entregar a la causa de la revolución con la devoción de un santo, poniendo de una manera ejemplar todas sus fuerzas e inteligencia al servicio de "la causa", una causa que para ellos representa la bondad absoluta personificada. En fin, se trata de seres que están muy lejos de ser basuras humanas y que se hacen marxistas para hacer el bien pero que terminan -si tienen la oportunidad- haciendo un mal espantoso. Esta es para mí la paradoja que hay que explicar y hacerlo es más difícil que trabajar con la hipótesis simplona de la maldad tanto de las ideas marxistas como de quienes las propagan."

Sexta-feira, Novembro 27, 2009

Lula tentou estuprar um adolescente

O nosso presidente não é diferente do presidente sul-africano.

César Benjamin revela história contada pelo próprio Lula se gabando de ter tentado fazer sexo com um adolescente, quando esteve preso. Benjamin também foi preso durante o regime militar, e fundou o PT, do qual se desfiliou em 1995. Em 2006 concorreu à vice-presidência da República pelo PSOL.

Do saite de Reinaldo Azevedo:

"A Folha publica hoje alguns textos sobre o filme hagiográfico "Lula, O Filho do Brasil." Benjamin escreve um longo depoimento -- íntegra aqui -- em que narra todos os horrores que sofreu na cadeia, preso que foi aos 17 anos. Entre outras coisas, e sabemos que isto é tragicamente comum nas cadeias brasileiras até hoje, foi entregue para "ser usado" pelos presos comuns, o que, escreve ele, não aconteceu. E faz um texto que chega a ser comovido sobre o respeito que lhe dispensaram na cadeia.

Depois de narrar suas agruras, interrompe o fluxo de memória daquele passado mais distante para se fixar num mais recente, 1994, quando integrava a equipe que cuidava da campanha eleitoral de Lula na TV -- no grupo, estava um marqueteiro americano importado por alguns petistas. E, agora, segue o texto estarrecedor de Benjamin sobre uma reunião:

"(...)

Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula, e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: "Você estave preso, não é, Cesinha?" "Estive." "Quanto tempo?" "Alguns anos...", desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: "Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta."

Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de "menino do MEP", em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do "menino", que frustara a investida com cotoveladas e socos.

Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o "menino do MEP" nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.

O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer. Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu.""

...

Como diz Reinaldo Azevedo, existem pessoas civilizadas, em qualquer espectro da política, a quem se pode e deve respeitar, a despeito das diferenças. Há outras, no entanto, (im)pessoas que não o são.

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

Muito barulho por (quase) nada

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), por cinco votos a quatro, entenderam que o crime praticado por Cesare Battisti é comum, não um crime político. Entretanto, na hora de decidir sobre a entrega do criminoso às autoridades italianas, um deles voltou atrás, dizendo que a última palavra deve ser sempre do Presidente. A intervenção do ministro Ayres Britto foi brochante, toda uma discussão político-jurídica se desenvolvera em torno do caso para ao fim o STF se pronunciar no sentido de que a decisão cabe ao Presidente da República. Parece que a teoria sobre a revisão judicial dos atos administrativos foi por água abaixo.

Data vênia, o Presidente da República não pode motivar uma possível recusa de extraditar o criminoso sob o argumento de que houve prática de crime político, porque esta matéria já formou coisa julgada, de maneira que o Presidente tem o dever de entregar o criminoso nos termos do tratado bilateral entre Brasil e Itália. Se desejar não entregá-lo, deve antes denunciar o tratado de extradição. Provavelmente não o fará, de sorte que a recusa em entregar o criminoso equivalerá na prática a uma denúncia do tratado.

Como disse o Presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, “O Supremo se ocupa com um tema como esse e depois surge uma decisão: não, nós estávamos brincando”. Exato, suas Excelências perderam, no dizer da ministra Ellen Gracie, seu precioso tempo. E a tripartição dos poderes dá um passo atrás, porque o STF não quis assumir sua função de juiz da causa jurídico-constitucional da extradição, que lhe compete conforme o art. 102, I, alínea g, da CRFB. Ao Presidente, como chefe de Estado, caberia unicamente cumprir a decisão da República Federativa do Brasil, que no caso seria representada pela decisão de sua Corte Suprema. Mas isto não se verificou.

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Vinte anos da queda do muro de Berlim

Discurso de Kennedy em Berlim Ocidental, que terminou assim: "Todos os homens livres, onde quer que morem, são cidadãos de Berlim. E por isso, como um homem livre, eu me orgulho dessas palavras: "Ich bin ein Berliner" ("Eu sou um berlinense")." Alguns alemães jocosos podem chamar sua pronúncia alemã de chucrutiana, mas o discurso guarda lugar de destaque entre os históricos.



E Ronald Reagan, passadas duas décadas, no mesmo portal de Brandemburgo, em Berlim Ocidental, pedindo para Gorbatchev abrir o portão e derrubar o muro.



Atualização do dia 13 de novembro de 2009: Kennedy foi o presidente estadunidense que lançou o programa para levar o homem à lua, mas no jogo de medição de forças com a URSS, também foi pusilânime. O historiador Donald Kagan conta que ele poderia ter sido mais firme ao não permitir a instalação do muro de Berlim -- porque a ação soviética contrariava o acordo de Potsdam, entre os aliados vencedores da Segunda Guerra Mundial -- e ao apoiar a invasão à Baía dos Porcos, em Cuba, aliviando desde logo o peso do martelo comunista no continente. Não o tendo feito, deu razão à frase de Donald Rumsfeld: "Fraqueza gera agressividade." Os soviéticos faziam mais e mais exigências, até ao ponto em que mísseis nucleares soviéticos foram instalados em Cuba, o que deu origem à chamada crise dos mísseis -- os quais depois foram desinstalados, porque essa ameaça Kennedy não engoliu.

A despeito de tudo isso, o discurso de Kennedy é uma inspiração para os homens livres, cidadãos de Berlim.

Terça-feira, Novembro 03, 2009

Global Warning

Cuidado com o aquecimento global. Ele pode queimar seus neurônios.

Sábado, Outubro 31, 2009

Lições em família

Em sua autobiografia, Theodore Roosevelt, 26° presidente dos Estados Unidos da América, conta sobre a convivência com o tio Jimmy Bulloch, veterano da guerra civil lutando pelos estados confederados, então radicado em Liverpool, na Inglaterra, que visitava a família em Nova Iorque usando nome de fantasia porque não fora anistiado. Diz Roosevelt:

"Meu tio Jimmy Bulloch era clemente e justo com referência às forças da União, e era capaz de discutir todas as fases da Guerra Civil com total justiça e generosidade. Mas na política inglesa, ele logo se tornou um Tory da escola mais ultra-conservadora. Ele conseguia admirar Lincoln e Grant, mas não ouviria nada em favor do senhor Gladstone. As únicas ocasiões em que estremeci sua confiança em mim foram quando eu me aventurei mansamente a sugerir que algumas das mentiras manifestamente disparatas sobre o sr. Gladstone não poderiam ser verdade. Meu tio foi uma das melhores pessoas que jamais conheci, e quando por algumas vezes me senti tentado a imaginar por que bons homens podem crer de mim as coisas impossíveis e injustas que de fato crêem, consolei-me pensando na convicção perfeitamente sincera de Jimmy Bulloch, de que Gladstone foi um homem de infâmia excepcional e inominável tanto na vida pública quanto na privada." (Roosevelt, Theodore. An Autobiography, chapter Boyhood and Youth, 1913)


Tradução minha

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Momento tenso

O primeiro embaixador dos Estados Unidos da América no Reino Unido tem sua primeira audiência com o rei.

A série John Adams é uma cinebiografia do segundo presidente estadunidense. Paul Giamatti ganhou o globo de ouro pela interpretação do personagem. Se não por outro motivo, sua cena de adoração no último episódio -- infelizmente não disponível na rede -- vale o prêmio.